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segunda-feira, 2 de abril de 2012

ARTE COM SUCATAS

FONTE: http://www.artedesucata.com.br





TEXTOS E HISTÓRIAS III

Pessoas são Diferentes

Pessoas são Diferentes
(Ruth Rocha)


São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!


História: "Zuzu, a abelhinha que não podia fazer mel"

Zuzu,
a abelhinha que não podia fazer mel
Zuzu era uma abelhinha igual a todas que você conhece.
Bem, igual, igual, não. Desde pequenina ela ficou sabendo que era um pouco diferente das outras: não poderia fabricar mel como suas companheiras.
No início, isso não tinha muita importância para ela. Mas, com o tempo, vendo como seus pais ficaram tristes, pois sonhavam com a filhinha estudando, se formando na Universidade do Mel, trabalhando, progredindo, como as outras abelhas da colméia, começou a ficar entristecida, magoada, porque percebeu que não atingiria as expectativas dos pais. Eles a levaram aos melhores especialistas do abelheiro, mas todos foram unânimes: Zuzu jamais seria igual às outras...
Zuzu vivia cabisbaixa, solitária, era motivo de gozação e brincadeiras de mau gosto por parte das outras abelhas de sua idade.
Certo dia, muito aborrecida, resolveu voar para bem longe. Sem perceber, aproximou-se de outra colméia, desconhecida. E logo percebeu que ali era diferente de onde ela morava: na entrada, algumas abelhas guardiãs também possuíam dificuldades: algumas não tinham uma asa, outras eram cegas...
À medida que foi penetrando nessa nova colônia, notava que em todos os setores as abelhas consideradas “deficientes”, trabalhavam e eram eficientes nas suas funções. Conheceu algumas que, como ela, não podia produzir mel. Todas estavam ativas e contentes: controlavam o estoque de mel, a qualidade do produto, e até chefiavam a produção. Isso a deixou muito feliz: ela também poderia ser útil!
Conversando, suas novas amigas lhe contaram que ali todas eram respeitadas e trabalhavam de acordo com as suas capacidades.
Exultante, Zuzu voltou para sua casa cheia de novidades. No início, todos acharam que aquilo era uma bobagem, um sonho, fruto da imaginação. Com perseverança foi, aos poucos, introduzindo novas idéias na sua colméia. Conseguiu levar uma comissão de ministros a outra colméia para que eles vissem que o seu ideal era possível. Assim, lentamente, na sua comunidade, foi sendo eliminado o preconceito às abelhas portadoras de cuidados especiais. Zuzu, como se sabe, chegou ao importante cargo de chefe da produção de mel de todo o reino, pela sua inteligência, pela suas habilidades, levando consigo muitas de suas irmãs.
Seus pais, agora venturosos, entenderam que a felicidade de Zuzu não está em fazer como os outros, mas em fazer como lhe é possível e da melhor maneira, evitando comparações.

Luis Roberto Scholl

História: Um Amor de Confusão

Um Amor de Confusão
(Dulce Rangel)

Dona Galinha um ovo botou. Mas, quando foi passear, outros dois ovos no caminho ela encontrou.
Um ovo mais dois ovos com três ovos ela ficou. Dona Galinha os três ovos em seu ninho colocou. Mas, quando foi passear, outros dois ovos no caminho ela encontrou.
Três ovos mais dois ovos com cinco ovos ficou. Dona Galinha os cinco ovos em seu ninho colocou. Mas, quando foi passear, mais três ovinhos no caminho ela encontrou.
Cinco ovos mais três ovos com oito ovos ela ficou. Dona Galinha os oito ovos em seu ninho arrumou. Mas, quando foi passear, mais um ovo ela achou.
Oito ovos mais um ovo com nove ovos ela ficou. Dona Galinha os nove ovos em seu ninho ajeitou. Mas quando foi passear um ovo enorme ela encontrou.
Nove ovos mais um ovo com dez ovos ela acabou.
E, com paciência e carinho os dez ovos ela chocou.
Mas, que surpresa não foi o dia em que os ovos se abriram. Vocês nem podem imaginar os bichos que da casca saíram.
Nasceu ganso, pato, marreco e tartaruga. Apareceu codorna, pintinho e até um jacaré.
Agora eu só quero ver a confusão que vai ser na hora que essa turma sair pra comer. Có!???



História: A TOUPEIRA que queria ver o cometa

A TOUPEIRA
que queria ver o cometa

Era uma vez uma toupeira.
As toupeiras são míopes: só enxergam coisas que estão bem pertinho, encostadas na ponta do focinho.
É que elas moram em túneis. Este é o seu mundo: debaixo da terra. Lá dentro é tudo escuro, não há nada pra ser visto. Talvez elas tenham resolvido viver assim, por medo. A pena é que, lá no fundo se não vão os bichos perigosos, também não vão nem os pássaros e nem as borboletas, e não se vê nem o luar e nem o arco-íris. A toupeira da nossa história tinha um apelido: Ceguinha. Os outros bichos riam dela porque ela nunca via nada.
No jogo de cabra-cega nem precisavam pôr a venda nos olhos dela, já que ela não via nada nem quando estava com os olhos abertos.
E ela ficava sempre por fora das conversas, porque ela não sabia sobre o que falar.
Só falava sobre o seu túnel.
Enquanto a bicharada falava de frutas que cresciam no alto das árvores, ou de nuvens que ameaçava chuva, ou da beleza do arco-íris, ou da brancura do luar, ela nunca sabia do que se tratava, pois não podia ver o alto das árvores nem as nuvens que ameaçam chuva, nem a beleza do arco-íris e muito menos a brancura da lua.
Ela piscava os seus olhinhos míopes.
Certo dia ela percebeu algo incomum, um alvoroço entre os animais. Falavam sobre uma coisa nova, sobre o que nunca haviam conversado antes.
A dona Coruja, professora, especializada em coisas que acontecem à noite falava aos outros animais sobre um cometa.
A Coruja explicava que leu em um jornal que um cometa era uma coisa brilhante que aparece no céu, parecia estrela, mas não era, porque as estrelas estão sempre lá, no mesmo lugar, mas um cometa fazia uma visita e desaparecia, por muitos e muitos anos.
A Coruja explicava que o tal cometa só aparecia a cada 76 anos e que o cometa vem das lonjuras do céu. E os bichos ficavam parados, de boca aberta com D. Coruja que sabia tanto.
O rabo do cometa era tão grande, mas tão grande que ia do horizonte até o umbigo do céu, bem encima da floresta. Os bichos olharam pra cima, pra ver onde ficava o umbigo do céu. Ceguinha olhou também. Mas... Não viu nada. E se o cometa estava tão longe assim, que diferença ia fazer em sua vida e em seu túnel? Ceguinha já se preparava pra voltar pra casa quando ouviu D. Coruja dizer que o cometa tem poderes mágicos. Ele tem o poder de realizar os desejos de quem o vir. Se alguém, ao olhar pra ele, de todo o coração desejar alguma coisa, esta coisa acontece mesmo...
Ceguinha se virou tristemente e duas lágrimas caíram de seus olhos.

História: A Bruxa e a Passarinha

A Bruxa e a Passarinha

Era um dia ensolarado quando a passarinha disse ao marido:
- Querido, hoje, enquanto você trabalha, voarei por aí para procurar uma árvore que seja aconchegante e bonita. E, se eu encontrar alguma, com certeza lá faremos o nosso novo ninho.
E o passarinho respondeu:
- Tudo bem, querida! Mas não se esqueça que você não pode fazer muita força. Quero que meus filhotes nasçam com muito fôlego para piarem! Agora, já estou atrasado, tenho que ir.
Ele deu uma bicadinha no bico da passarinha e levantou vôo. Ela, que estava ansiosa para começar a procurar uma árvore bonita, não demorou muito. E após terminar de se enfeitar, também se pôs a bater assas.
- Como tudo isso é belo. Vejo que será difícil escolher um lugar.
Logo mais, a passarinha percebeu que todas as árvores nas quais ela queria fazer seu ninho, já estavam habitadas. Mas ela não desistia, sempre levantava vôo novamente para procurar um espaçozinho adequado.
- Quem procura, sempre acha.
A passarinha também. Ao avistar a árvore mais bonita que já tinha visto, pensou:
- Muito bonita, mas já deve estar com seus galhos cheios de ninhos. De qualquer modo, vou até lá. Quero que meus olhos vejam bem de perto o esplendor que um dia eu sonhei para fazer meu ninho.
Enquanto ia chegando mais perto, seu coração disparava cada vez mais. Quanto mais se aproximava, mais lhe parecia que não havia nenhum morador naquela árvore. Ao pisar no galho, quase chorou. Não tinha somente um pequeno lugarzinho onde coubesse seu ninho, mas sim, qualquer galho ou folha que ela quisesse ter.
Tudo era muito bom. Olhou para os lados e viu uma casa muito antiga: imaginou que ali vivia uma senhora bondosa. Olhou para o chão e viu pequenos galhos: pensou em como seria fácil construir seu ninho.
Começou a construí-lo devagar. Mas tudo era muito fácil e em pouco tempo o ninho já estava pronto, do jeito que ela queria. Ficou tão emocionada que pensou em botar um pombo correio para procurar seu marido, mas, naquele momento, só conseguiu botar ovos. Três ovos.
A passarinha sentou-se em cima deles e o tempo passou. Não percebeu anoitecer, não percebeu adormecer, porém, percebeu-se acordar:
- Meu marido deve estar muito preocupado comigo. Como conseguirei avisá-lo de tamanha felicidade se por aqui não vejo nenhum pombo correio passar? Terei eu mesma de ir encontrá-lo. Vocês, meus filhotes, ficarão sozinhos por um tempo. Mas nada de ruim acontecerá. Logo, logo, eu voltarei!
Ela estava preocupada com os filhotes. E nas duas formas da palavra: ela foi voando encontrar seu marido.
A cortina da janela da casa que aberta a espiava, se fechou. Uma velhinha de feições nada amigáveis apareceu no quintal. Aproximou-se da árvore. Com as mãos abrindo as folhas que lhe tapavam a visão, procurou até achar o ninho. Percebendo que o alcançava sem grandes esforços, pegou os três ovinhos com o mesmo cuidado que pegava pedras e os levou para dentro de sua casa.
Ao chegarem na árvore, pouco tempo depois, passarinho e passarinha se surpreenderam. Ele quis saber:
- Querida, onde estão nossos filhotes.
A passarinha, sem ar, disse:
- Eu não sei, os deixei aqui. Acho que a senhora que vimos no quintal, bem perto da árvore enquanto voávamos, sabe onde eles estão.
Voou para dentro da cozinha pela porta que a velha tinha deixado aberta. Lá estava a velha com os três ovinhos em cima da pia.
- Senhora, me desculpe, mas esses ovos são meus filhotes. Eu vim buscá-los!
- Como seus filhotes? – retrucou a velha malvada.
- Eles estavam no meu ninho, na árvore ali de fora, são meus filhos!
- Claro que não. Tudo o que aquela árvore dá ou que o que dá nela é meu, pois a árvore é minha.
- Vejo que você não é a velhinha bondosa que estava nos meus sonhos. Vejo que você é uma bruxa e por isso, tenho uma proposta a fazer.
Antes mesmo de que a bruxa falasse alguma coisa, a passarinha continuou:
-Pertenço a uma espécie rara de pássaros. Para que nossa espécie não desapareça, fomos abençoados: o pássaro que botou os ovos poderá realizar um desejo para cada filhote que nasça. No caso, você, somente você, teria direito a três desejos quaisquer.
Desconfiada, a velha perguntou:
- Posso pedir qualquer coisa? Qualquer uma?
- Pode! – respondeu a passarinha – Geralmente, pelo que me disseram os meus antepassados, as pessoas pedem dinheiro, poder e vida eterna, nessa mesma ordem. A minha espécie não bota mais do que três ovos no ninho. Você quer devolver meus filhos para o ninho para que eu lhe conceda os três desejos?
A bruxa pensou bastante, mas concordou.
- Então, já que estamos de acordo, ponha meus três filhotes onde estavam.
E assim a velha fez.
A passarinha voltou a chocá-los. E o marido sempre ficava ao lado dela. O tempo certo se passou e o primeiro ovinho foi quebrado pelo bico do despenado. A passarinha chamou a bruxa:
-Bruxa, venha ver. O seu primeiro desejo acaba de nascer.
Ela veio correndo e perguntou:
- Já posso fazer meu desejo?
- Sim, já pode! – respondeu a passarinha.
- Quero dinheiro, muito dinheiro! Quero riqueza. Não agüento mais essa casa velha.
- Seu desejo será realizado!
A velha piscou os olhos, mas não viu nenhum dinheiro na sua frente. Piscou de novo, mas desta vez mais devagar e nada do dinheiro.
- Onde está o meu dinheiro, seu ser insignificante? – gritou enraivecida!
- Calma, bruxa! Os desejos se realizarão quando todos os três nascerem. Ainda faltam dois.
Furiosa, a velho entrou em casa. Estava com muita raiva naquela hora.
- Veja, querido! Mais um ovo está se quebrando. – e novamente gritou para a velha - - Bruxa! Venha fazer seu outro pedido!
Lá estava a mulher de novo!
-O que quererá? – lhe indagou.
-Poder! Todo o poder do mundo.
-O seu desejo será realizado!
Novamente, nada mudou na velha. Nem se sentia um pouquinho mais poderosa. Mas sim, muito nervosa. Quase desesperada.
-Eu já expliquei, não fique assim, os desejos só serão realizados quando meu último filhote nascer.!
A velha entrou pela cozinha preocupada, passando a mão na cabeça.
Naquele dia, esquisitamente, não nasceu mais nenhum pássaro. E nem no outro dia. E nem no outro. Muito menos no outro. Bastante tempo se passou e os que já haviam nascido já tinham peninhas, já estavam no momento certo para aprenderem voar. O papai-pássaro trabalhava e não tinha tempo para ensinar aos filhos como bater as asinhas. Por isso, o serviço deveria ser feito pela mamãe deles. No dia no aprendizado, ela gritou pela velha.
- Bruxa! Bruxa! Vem cá. Acho que hoje nasce meu terceiro filhote.
A velha foi correndo. Mas teve de escutar algumas explicações:
- Olha, bruxa, sairei com meus dois filhotes já nascidos para ensiná-los a voar! Acho que o atrasadinho aí nasce hoje. Como não tenho outra escolha, além de confiar em você, quero que tome conta dele enquanto eu estiver fora.
A velha sorriu maliciosamente e disse:
- Eu cuidarei bem dele. Tão bem que será capaz de nascer sob meus cuidados.
Ouvindo isso, a passarinha começou a instruir seus filhotes:
- Primeiro, ponham as asinhas para cima, depois para baixo. Para cima, para baixo. Agora pulem meus filhotes!
Agora eles já estavam voando, e a mãe os seguiu, dando as instruções finais. Voaram para longe, bem longe. A velha até pensou que eles não voltariam!
- Será que essa passarinha vai voltar? Bem, acho que sim! Ela não iria abandonar o filhote. Mas... será que ela sabe o que eu fiz? Será que ela viu o pequeno furo no ovo? Não... acho que não... ela é muito burra. Bem, tenho de agir rápido.
A velha entrou na casa com as mãos vazias e saiu alguma coisa em uma delas. Um rato. Era um rato.
- Do jeito que essa passarinha é burra nem vai perceber que isso é um rato. Sorte minha ter achado uma ninhada desses na sala de casa.
E pensando isso, pôs o ratinho recém-nascido no ninho e esperou que a passarinha chegasse para fazer o seu terceiro pedido. E, claro, para que todos juntos se tornassem realidade.
Viu de longe um pássaro. Seria ela? Pensou. Sim, era ela. Ao pisar no galho, a passarinha se surpreendeu! A velha falou:
- Pronto, seus três bichos nasceram, agora, realize meus desejos. Meu terceiro desejo é vida eterna.
A passarinha contestou:
- Como? Você não tem direito a um terceiro desejo. Quem você acha que engana? Desde quando ratos saem de ovos?
A velha tentou falar algo, mas não deixaram.
- Nesse jogo, ganha o mais inteligente. A sua fome devorou o meu filhote, mas a minha sabedoria salvou os outros dois. A sua fome não foi saciada com meu filhote, você queria mais: riqueza, poder e vida eterna. Você foi cínica, eu também. Você foi falsa, eu também! Mas o pior de tudo é que você foi burra. Sabe por quê? Você acreditou numa história que um passarinho te contou!
A passarinha não saiu ilesa, também perdeu. Mas perdeu muito menos do que perderia se ficasse de asas cruzadas.

Eduardo Franciskolwisk

História: O Príncipe Adormecido

O Príncipe AdormecidoUm Conto de Fadas da Grécia
Um rei tinha uma filha que era toda sua alegria e, quando precisou partir para guerra, ficou muito preocupado com a princesa. Percebendo sua aflição, ela lhe disse:
“Vá em paz, meu pai, e volte em paz. Estarei aqui, esperando por você”. Depois que o rei partiu, a princesa passava os dias junto à janela, bordando um lenço para ele. Uma tarde uma águia dourada se aproximou da janela e falou:
“Borde, Alteza! Há de se casar com um morto”.
“O que quer dizer com isso?”, ela perguntou espantada.
“Monte em meu dorso e saberá”, a águia respondeu, carregando-a para um lugar muito distante, onde a deixou perto de um poço.
A princesa desceu no poço e lá no fundo encontrou um príncipe que jazia na cama, tendo ao seu lado uma placa:
“Se tiver piedade de mim vele-me por três meses, três semanas e três dias. Quando eu espirrar, diga: ‘Deus o abençoe e lhe dê longa vida!’. Então acordarei e me casarei com você”.
A princesa sentou à cabeceira do jovem e velou-o por três meses e três semanas. Todos os dias, ao despertar, encontrava uma bandeja de comida e água, mais nunca via ninguém. Certa manhã escutou uma moça perguntando:
“Quem precisa de empregada?”.
“Ei, olhe para baixo!”.
Como a jovem parecia bondosa, contratou seus serviços e lhe contou tudo sobre o príncipe. As duas passaram o dia conversando, e à noite a moça falou:
“Agora vá dormir. Ficarei velando e, se ele espirrar, eu a acordarei”.
Assim que a princesa dormiu, o rapaz espirrou e a criada falou:
“Deus o abençoe e lhe dê longa vida!”. O jovem acordou e a abraçou cheio de felicidade.
“Você me libertou de um encantamento e será minha esposa.”
Pouco depois viu a princesa dormindo no chão e perguntou:
“Quem é?”.
“É minha empregada. Deixe a coitadinha dormir em paz e, de manhã, mande-a cuidar dos gansos.”Quando a princesa despertou, a criada lhe disse:
“O príncipe acordou e falou que quer se casar comigo e que de hoje em diante você tem que cuidar dos gansos.”
Naquela tarde o rapaz reuniu as duas e perguntou a cada uma delas que presente gostaria de ganhar.
“Uma coroa de diamantes”, a empregada declarou.
“A pedra do moinho da paciência, a corda do carrasco e o facão do açougueiro”, respondeu a princesa.
O príncipe lhes deu o que queriam e logo mais, à noite, passou por perto do quarto da guardadora de gansos e ouviu a pobre contando sua história aos objetos que ganhara.
“O que devo fazer?”, perguntou a princesa.
“Tenha paciência”, respondeu a pedra do moinho.
“Corte a garganta”, sugeriu o facão.
“Enforque-se!”, aconselhou a corda.
Nesse momento o príncipe entrou correndo no quarto.
“Não faça nada disso!”, gritou.
“Você é minha verdadeira noiva, e a outra moça não passa de uma mentirosa. É ela que deve morrer na forca!”
“Não! Ela quis me prejudicar, mas deixe-a ir embora. Apenas me leve para casa de meu pai e se case comigo.”


A Bailarina

Musicando poemas...
Não são raras as vezes que precisamos de uma
música infantil que aborde determinado tema e,
não encontramos!
Daí a ideia de muitos
Cantadores Encantadores Cantadores de Histórias de,
musicalizar poemas... 
 
A BAILARINA
Cecília Meireles

Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
FIM...
 

Livro: VÓ NANA


***Vó Nana***
Vo Nana e Neta moravam juntas há muito, muito tempo.
Elas compartilhavam tudo, inclusive as tarefas.
Todos os dias Neta cortava a lenha enquanto Vó Nana limpava as cinzas do fogão.
Neta varria e Vó Naná espanava.
Vó Nana arrumava as camas enquanto neta estendia a roupa.
Neta fazia o mingau, o chá e as torradas para o café da manhã.
Vó Nana picava as cenouras e nabos para o almoço.
E juntas, Vó Nana e Neta preparavam seu jantar de milho e aveia.
Neta sempre dizia o quanto detestava milho e aveia mas, Vó Nana dizia que, enquanto ela fosse viva Neta haveria de comer milho e aveia tos os dias pois era muito bom pra saúde.
Por isso, Neta parou de reclamar. Ela comeria milho e aveia no café, almoço e jantar se com isso, Vó Nana fosse viver para sempre.
Um dia, Vó Nana não se levantou como de costume para tomar o café da manhã.
- Estou me sentindo cansada – ela disse – Acho que vou tomar o café na cama hoje.
- Mas você nunca come na cama! – exclamou Neta – Você não gosta de migalhas de pão nos seus lençóis.
- Estou cansada. – Vó Nana repetiu.
E quando Neta trouxe a bandeja com o mingau, a torrada e o chá, Vó Nana estava dormindo e continuou assim durante o almoço e o jantar também.
Enquanto Vó Naná dormia, Neta cortou lenha, limpou as cinzas do fogão, varreu, espanou, estendeu a roupa e arrumou sua cama. Ela tentou assobiar enquanto trabalhava, mas tudo o que conseguiu fazer foi soltar um fraco “óinc”.
Na manhã seguinte, Vó Nana ainda estava cansada, mas, com muito esforço se levantou. Comeu uma colher de mingau, um pedaço de torrada e tomou um gole de chá.
- Isso não é suficiente nem para alimentar uma andorinha. Quanto mais uma porca adulta como você – ralhou Neta fazendo uma cara de zangada.
Mas Vó Nana só fechou os olhos por um instante, depois levantou-se pegou o chapéu e a bolsa.
- Tenho muito oque fazer hoje – ela disse – Tenho de estar preparada.
- Preparada para quê? – perguntou Neta.
Vó Nana não respondeu, nem precisava. Neta já sabia a resposta e isso fez com que ela sentisse uma enorme vontade de chorar.
Vó Nana devolveu os livros à biblioteca e não pegou mais nenhum emprestado. Ela foi ao banco, retirou todo o seu dinheiro e fechou sua conta.
Depois foi ao armazém e pagou o que devia. Pagou também as contas da luz, do
Verdureiro e da lenha.
Quando chegou em casa enfiou o resto do dinheiro na bolsa de Neta.
- Guarde-o bem e gaste com cuidado.
- Sim Vó. – falou Neta tentando sorrir mas, com os lábios tremendo.
- Pronto, pronto. Nada de lágrimas. – disse Vó Nana abraçando-a.
- Eu prometo. – disse Neta mas, era a promessa mais difícil que ela já fizera na vida.
- Agora, - falou Vó Nana – quero me fartar.
- Seu apetite voltou? – perguntou Neta toda esperançosa.
- Não sinto fome de comida. Quero passear lentamente pela cidade e me fartar de olhar as árvores, as flores, o céu, tudo!
E assim, Vó Nana e Neta saíram passeando tranquilamente pela cidade.
De vez em quando, Vó Nana tinha de parar para descansar. Mas não parava de olhar. Apreciar, escutar, cheirar e saborear.
- Veja! Olhe como a luz brilha sobre as folhas!
- Veja! Olhe como as nuvens lá no céu parecem se juntar para fofocar!
- Olhe! Está vendo como o jardim se reflete na lagoa?
- Está ouvindo os periquitos discutindo?
- Está sentindo o perfume da terra molhada?
- Vamos experimentar a chuva?
Já era tarde quando Vó Nana e Neta voltaram pra casa.
Vó Nana estava tão cansada que Neta levou-a direto pra cama.
Neta preparou um pote de milho e aveia e comeu tudinho. Depois lavou e guardou a louça.
Então ela entrou no quarto de Vó Nana que ainda não estava dormindo.
Neta sentou-se ao seu lado na cama e perguntou: - Você se lembra quando eu era pequena e tinha um pesadelo e você deitava na minha cama e me abraçava bem forte?
- Lembro. – respondeu Vó Nana.
- Pois hoje eu gostaria de deitar na sua cama e abraça-la bem forte. Posso?
- Claro que pode. – respondeu Vó Nana.
Então Neta apagou as luzes e abriu a janela para que entrasse o ar fresco e abriu as cortinas para que entrasse o luar.
Depois, deitou-se na cama de Vó Nana, apertou-a em seus braços e, pela última vez, Vó Nana e Neta ficaram bem abraçadinhas até o dia clarear.
 
FONTE:  http://contandoradehistorias.blogspot.com.br

TEXTOS E HISTÓRIAS II

Texto:

O patinho que queria falar
(Rubem Alves)

Era uma vez um lindo patinho amarelo.
Um dia ele saiu de casa bem cedinho e foi passear na estrada.
A manhã estava clara, o céu azul e havia muitos animaizinhos passeando.
Não tinha ainda dado muitos passos e viu um gato engraçadinho.
O gato que era muito bem educado cumprimentou-o assim:
- Miau, miau!
O patinho ficou encantado e disse:
- Oh! Que modo bonito de falar você tem Senhor Gatinho. Quem me dera falar assim!
- É muito fácil, patinho, respondeu o gato. Vamos experimentar?
O patinho experimentou dizer "miau". Não conseguiu. Experimentou de novo, experimentou muitas vezes! Foi impossível! Então falou:
- É muito difícil, Senhor Gatinho! Isso não é conversa para patinhos!
Despediu-se do gato e continuou a passear.
Foi andando, andando e encontrou-se com Dona Galinha Carijó.
- Có, có, có, disse Dona galinha.
O patinho ficou encantado:
- Oh! Que modo bonito de falar a senhora tem, Dona Galinha! Quem me dera falar assim!
- Experimente falar assim, patinho.
O patinho tentou imitar Dona Galinha. Fez tudo que pôde e nada conseguiu. Depois de algum tempo, já bem desanimado, falou:
- Muito obrigado pela ajuda, Dona galinha, mas isto é muito difícil para patinhos.
Despediu-se de Dona Galinha e continuou o seu caminho.
Andou, andou e entrou na mata. De repente, ouviu a voz mais linda do mundo:
- Piu, piu, piu!...
O patinho ficou encantado! Olhou para cima e lá estava, no galho da árvore,
um lindo passarinho de penas coloridas.
- Que modo de falar bonito você tem, passarinho! Quem me dera falar assim!
- Experimente patinho! Experimente falar assim!O patinho abriu o bico. Fez tudo que pôde para dizer "piu, piu, piu!". Foi impossível. Já estava desanimado. Despediu-se e voltou triste para casa.
No meio do caminho encontrou Dona Pata.
- Quá, quá, quá, disse a pata.
-Oh! Mamãe, disse o patinho será que posso falar como a senhora?
- Experimente filhinho, experimente...
O patinho abriu o bico.
-Que vontade de falar como a mamãe!
E se não conseguisse?... Não falou como gato, nem como galinha, nem como passarinho. Será que poderia falar como pato? Fez um esforço, e...
- Quá, quá, quá... - Muito bem, filhinho! Disse-lhe a mamã pata, toda feliz. O Patinho ficou alegre, muito alegre. Depois, juntinho com a mamãe, voltou para casa e a todo instante, abria o bico para dizer mais uma vez:
- Quá, quá, quá...É bom sentir a Alegria de ser como somos...



Texto: "A GALINHA E O OVO DE PÁSCOA"


A GALINHA E O OVO DE PÁSCOA
Autora: Eliana Sá
Coleção: DO-RÉ-MI-FÁ
Editora: SCIPIONE
Ilutrador: Roberto Caldas
Faixa etária: a partir de 7 anos


A GALINHA E O OVO DE PÁSCOA


- Que dia gostoso de sol quentinho – D. Galinha até pensou

– Hoje está bom para dar um passeio!!!
Empurrou o portão do galinheiro com o bico, e saiu para dar uma voltinha.
Cisca daqui, cisca dali... dona galinha deu de cara com uma coisa brilhante, muito estranha. Parecia um ovo! O ovo mais bonito que ela já vira em toda a sua vida...
- Que ovo mais enfeitado! Só pode ser um ovo de Pavão!!!

Na verdade D. Galinha não sabia que era domingo de Páscoa.

E que alguém, havia deixado cair um ovo de chocolate no quintal.

Ainda muito desconfiada D. Galinha tocou, escutou, cheirou o ovo e, criou coragem:
- Vou levar esse pobre enjeitado para casa.
E lá se foi D. Galinha com o ovo pelo bico toda contente. Colocou-o num canto escondido do galinheiro e começou a pensar:
- Como vou chocá-lo???
A essa altura todo o galinheiro já comentava a história.

O Sr. Papagaio que havia enxergado tudo lá do seeu poleiro,

dava a notícia aos quatro cantos do terreiro:
- Alô??? Atenção para uma notícia chocante: ENCONTRADO UM OVO ENFEITADO COM LAÇO DE FITA AMARELA, FILHO DE PAIS DESCONHECIDOS. MAIS INFORMAÇÕES COM D. GALINHA, NO FUNDO DO QUINTAL!!!E foi aquele corre, corre... Todos queriam ver o tal ovo. Ele era mesmo bonito, diferente mas, meio esquisito. D. Galinha que tinha achado o ovo dizia ser direito seu chocá-lo, mas D. Perua, d. Galinha d’Angola, D. Pata, D. Gansa também queriam chocá-lo.
Pronto!!! A confusão estava armada!!! Deixar que outra tivesse a glória de chocar o lindo ovo??? Nem pensar!!! D. Galinha queria para si, todas as honras.
- Se quiser comadre – disse D. Gansa - eu posso chocá-lo.
- Eu também, estou quase sem serviço em casa – retrucou D. Perua.
- Eu ajudo!!!
- Eu quero!!!
- Eu preciso!!!
- Calma, calma...senhoras. Não se incomodem, porque eu mesma vou chocar esse ovo.

Quero ter o prazer de ver o lindo bebê que sairá de dentro dele.
As comadres cansaram de tanto insistir mas, ainda esperaram algum tempo pra ver se ao menos teriam alguma chance de trocar com D. Galinha a vez de chocar o ovo.

Que nada!!! Não tiveram essa chance! D. Galinha, mais do que depressa, se colocou emcima do ovo. Ajeitou-se, abriu as asas para deixa-lo bem quentinho.
O tempo foi passando, o calorzinho aumentando e nem sinal do bebê.

Às vezes as comadres apareciam para saber notícias do ovo e, para dar palpites:
- Como é Comadre, já nasceu? – perguntou D. Carijó.
- Senta mais pra frente Comadre, uma pontinha do ovo está de fora...

Falou D. Galinha d’Angola.
- Abra mais as asas, quem sabe adianta – exclamou D. Pavoa.
- Levante um pouco para descansar – disse D. Gansa.
De repente... D. Galinha sentiu algo se mexer debaixo dela...
- É claro!!! Só podia ser o bebezinho finalmente!!!
Saiu de lado e, olhou para baixo de si:
- Não entendo... ao invés de quebrar, o ovo encolheu!!!
Do ninho ao lado, a D. Pata gritou:
- Comadre, Comadre. Desista... isso não dar certo!
D. Galinha pensou, pensou e... para não dar o braço a torcer, saiu devagar e sem jeito de cima do ovo. Resolvida a esconde-lo das amigas, carregou-o até a cerca e colocou-o emcima de uma pilha de adubos.
- Já que eu não consigo, ninguém mais toca no meu ovo. Amanhã quem sabe, tento denovo.
Voltou para o seu ninho e recomeçou a chocar os seus próprios ovinhos, esquecidos até agora.
- Com o tempo que perdi, teria chocado uma porção!!!
Assim, sempre disfarçando, D. Galinha deixou o tempo passar e, não contou pra ninguém que, desistira do lindo ovo.
O dia continuou quase igual a todos os outros.

À tardinha como de costume, Pedro apareceu para recolher os ovos dos ninhos espalhados pelo quintal. Naquele dia Pedro demorou mais...
Fuça daqui, fuça dali... Todo o galinheiro acompanhava com os olhos:
- O que será que ele procurava???
As aves começaram a desconfiar.
Muito espertos, D. Galinha d’Angola e o Sr. Papagaio já tinham descoberto tudo!!!

E então, começaram a dar pistas pra Pedro:
- Tá fraco, Tá fraco – gritava D. Galinha d' Angola quando ele estava longe da

cerca.
- Ta forte, ta forte, ta forte!!! – ajudava o Sr. Papagaio quando Pedro se aproximava dos sacos de adubo.
De repente...
- Mãe, mãe... Achei, achei!!! - Pedro gritou feliz e correndo em direção a casa,

carregando na mão o ovo colorido e enfeitado – Mãe, achei o ovo que o Coelhinho da Páscoa escondeu pra mim, só que tá meio murcho!!!
- Coelho??? Páscoa??? Mas... Coelhos não botam ovos!!! D. Galinha entendeu tudo, tudo!!!

Como evitar que todos soubessem o que realmente havia acontecido?

Mas agora era tarde, pois o galinheiro em peso olhavam fixo pra ela.

D. Galinha tonta de vexame e vermelha que nem tomate apenas conseguiu falar:
- Só mesmo uma boba como eu, para chocar ovo de chocolate!!!


Texto: "O coelhinho que não era de Páscoa"



O coelhinho que não era de Páscoa
Ruth Rocha


Vivinho era um coelhinho. Branco, redondo, fofinho.
Todos os dias Vivinho ia à escola com seus irmãos.
Aprendia a pular, aprendia a correr...
Aprendia qual a melhor couve para se comer.

Os coelhinhos foram crescendo,

chegou a hora de escolherem uma profissão.

Os irmãos de vivinho já tinham resolvido:
- Eu vou ser coelho de Páscoa como meu pai.
- Eu vou ser coelho de Páscoa, como o meu avô.
- Eu vou ser coelho de Páscoa como meu bisavô.
E todos queriam ser coelhos de Páscoa,

como o trisavô, o tataravô, como todos os avôs.
Só Vivinho não dizia nada.

Os pais perguntavam, os irmãos indagavam:
- E você Vivinho, e você?
- Bom – dizia Vivinho – eu não sei o que quero ser.
Mas sei o que não quero: Ser coelho de Páscoa.

O pai de Vivinho se espantou, a mãe se escandalizou e desmaiou:
- OOOOOHHHHH!!!

Vivinho arranjou uma porção de amigos:
O beija-flor Florindo, Julieta a borboleta, e a abelha Melinda.

- Onde é que já se viu coelho brincar com abelha?
- Os irmãos de Vivinho diziam.
Os pais de Vivinho se aborreciam:
- Um coelho tem que ter uma profissão.
Onde é que nós vamos parar com essa vadiação?

- Não se preocupem – Vivinho dizia

– estou aprendendo uma ótima profissão.
- Só se ele está aprendendo a voar – os pais de Vivinho diziam.
- Só se ele está aprendendo a zumbir – os irmãos de Vivinho caçoavam.

Vivinho sorria e saía, pula, pulando

para se encontrar com seus amigos.
O tempo passou. A Páscoa estava chegando.
Papai e Mamãe Coelho foram comprar os ovos para distribuir.
Mas as fábricas tinham muitas encomendas.

Não tinham mais ovinhos para vender.

Em todo lugar a resposta era a mesma:
- Tudo vendido. Não temos mais nada...
O casal Coelho foi a tudo que foi fabrica da floresta.
Do seu Antão, do seu João, do seu Simão, do seu Veloso, do seu Matoso,
do seu Cardoso, do seu Tônio, do seu Petrônio, seu Sinfrônio.
Mas a resposta era sempre a mesma:
- Tudo vendido seu Coelho, tudo vendido...

Os dois voltaram pra casa desanimados.
- Ora essa. Isso nunca aconteceu...
- Não podemos despontar as crianças...
- Mas nós já fomos a todas as fábricas. Não tem jeito, não...

Os irmãos do coelhinho estavam tristes:
- Nossa primeira distribuição... Ai que tristeza no coração!...

Vivinho vinha chegando com Melinda.
- Por que não fazemos os ovos nós mesmos?
- É que nós não sabemos.

Coelho de Páscoa sabe distribuir ovos. Não sabe fazer!

- Pois eu sei – disse Vivinho- Eu sei.
- Será que ele sabe? – disse o Pai?
- Ele disse que sabe – disseram os irmãos.
- Ele sabe, ele sabe – disse a mãe.
- E como você aprendeu? – perguntaram todos.
- Com meus amigos. Eu não disse que estava aprendendo uma profissão?
Pois eu aprendi a tirar o pólen das flores com Julieta e Florindo.
E Melinda é a maior doceira do mundo. Me ensinou a fazer tudo o que é doce...

A casa da família Coelho virou uma verdadeira fábrica.
Todos ajudavam: Papai Coelho, Mamãe Coelha e os coelhinhos...
e os amiguinhos também:florindo o beija-flor, a borboleta Julieta e

a abelha Melinda, a maior doceira do mundo.
E era Vivinho quem comandava o trabalho.
E quando a Páscoa chegou, estavam todos preparados.
As cestas de ovos estavam prontas.

E os pais de Vivinho estavam contentes.
A mãe de vivinho disse:
- Agora, nosso filho tem uma profissão.
E o pai de Vivinho falou:
- Cada deve seguir a sua vocação...
 
TEXTO: A menina do vestido azul

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Acontece que essa menina freqüentava as aulas da escolinha local no mais lamentável estado: suas roupas eram tão velhas que seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo.
Assim raciocinou o humilde mestre:
- É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas desarrumada desse jeito. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar para ela um vestido azul.
Quando a garota ganhou a roupa nova, sua mãe sentiu que era pena se, com aquele vestido tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas. Ao fim de uma semana, disse o pai:
- Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha”, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, caindo aos pedaços. Que tal você ajeitar um pouco a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, consertando a cerca, plantando
um jardim? - E assim fez o pobre casal.
Até que sua casa ficou muito mais bonita que todas as casas da rua e os vizinhos se envergonharam e se puseram também a reformar suas residências.
Desse modo, todo o bairro melhorava a olhos vistos, quando por isso passou um religioso que, bem impressionado, disse:
- É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda do governo. - E dali saiu para ir falar com o prefeito, que o autorizou a
organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro.
Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudaram os bairros pobres a se reconstruírem.
E pensar que tudo começou com um vestido azul. Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o país.
Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro movimento, do qual se desencadeou toda aquela transformação.

TEXTO: O PONTO

O PONTO
Uma professora se aproxima da aluna emburrada, que não quer desenhar na aula de educação artística. A folha em branco.
- Olha, que belo urso branco numa tempestade de neve! - exclama a professora.
A menina se aborrece, diz que não sabe desenhar... Conversam um pouco.
A professora lhe diz que pode fazer uma marca e depois ver no que vai dar.
A menina pega uma caneta e dá uma estocada firme no papel.
- Um ponto. “Pronto!” - diz a menina, desafiadora - Só um ponto.
A professora observa de perto e pede calmamente:
-Agora assine.
- Escrever meu nome eu sei! - ela responde.
Mais tarde, a aluna vê o seu desenho do ponto emoldurado e pendurado na parede da sala, em lugar de destaque.
Perplexa, descobre que pode fazer um ponto muito melhor do que aquele...
Na exposição escolar de final de ano, vários trabalhos seus são elogiados.
Ela fez um ponto amarelo, um ponto verde, um ponto azul, depois uma tela com vários pontos de várias cores, fez um ponto grande e multicolorido, a escultura de um ponto, o ponto segundo as mais diversas técnicas.
Aproxima-se da menina um colega.
Ele vem parabenizá-la, e se lamenta por ser um zero à esquerda em desenho e pintura.
- Não consigo fazer sequer uma linha reta, mesmo com a ajuda da régua.
A menina lhe diz:
- Aposto que sabe, faça uma linha e vamos ver no que vai dar.
O menino faz ali mesmo, numa folha de caderno, a tal linha não-reta. Ele a mostra. De fato, não passa de um rabisco. A menina observa com atenção, e lhe diz com um sorriso:
- Por favor... agora assine.

Autor: PETER H. REYNOLDS


Texto: "Choco encontra uma MÃE"




Choco encontra uma Mãe
Keio Kasza

Choco era um pássaro muito pequeno que vivia sozinho.
Tinha muita vontade de encontrar uma mamãe, mas... quem poderia ser?
Um dia, resolveu ir à procura de uma. Primeiro, encontrou a D. Girafa.
- Senhora Girafa, você é amarela como eu! Você é minha mãe?
- Sinto muito – suspirou a senhora Girafa- mas não tenho asas como você.
Mais tarde, Choco encontrou a Senhora Pingüim.
– Senhora Pingüim, a senhora tem asas como eu! A senhora é minha mãe?
- Sinto muito – suspirou a senhora Pingüim – mas, minhas bochechas não são grandes e redondas como as suas.
Então, Choco encontrou a senhora Foca.
- Senhora Foca! Exclamou – as suas bochechas são grandes e redondas como as minhas. Você é minha mãe?
- Olhe! – Grulhou a senhora Foca – Meus pés não têm listras como os seus, portanto... Não me incomode!
Choco buscou por todas as partes...
Viu a mamãe Elefanta, a mamãe Girafa, a mamãe Pingüim, a mamãe Onça, a mamãe Macaca, a mamãe Leoa, a mamãe Foca, a mamãe Raposa...
Porém, não conseguiu encontrar uma mãe que fosse parecida com ele.
Quando Choco viu a Senhora Urso colhendo maçãs, soube que ela não podia ser sua mãe. Não existia nenhuma semelhança entre ele e a senhora Ursa.
Choco se sentiu tão triste que começou a chorar:
- Mamãe, mamãe! Preciso de uma mãe!
A senhora Urso aproximou-se correndo para ver o que estava acontecendo. Depois de ter ouvido a história de choco, suspirou;
- Como você reconheceria a sua mãe?
- Ah! Sei que ela me abraçaria – disse choco entre soluços.
- Assim? - Perguntou à senhora Urso. E o abraçou com muita força.
- Sim... E com certeza, ela também me beijaria – disse Choco.
- Assim? Perguntou à senhora Urso e, levantando-o, deu-lhe um beijo muito comprido.
- Sim, e ela me cantaria uma canção que me alegraria o dia.
- Assim? Perguntou à senhora Urso. E então cantaram e dançaram.
Depois de descansar um pouco, a senhora Urso disse a Choco:
- Choco - disse a senhora Urso - Talvez eu possa ser sua mãe.
- Você? Perguntou Choco.
- Mas... Você não é amarela, não tem asas, nem bochechas grandes e redondas.
Seus pés não são listrados como os meus!
- Minha nossa! Disse a senhora Urso - Imagino o quanto ficaria engraçada! Choco também achou que ela ficaria muito engraçada.
-Bom – disse a senhora Urso- Os meus filhos estão me esperando em casa, vamos comer um pedaço de torta de maçã. Você quer vir?
Choco adorou a idéia de comer torta de maçã.
Logo que chegaram, os filhos da senhora Urso saíram para recebê-los.
- Choco, te apresento a Hipo (hipopótamo), a Coco (crocodilo) e o Porqui (porco).
Eu sou mãe deles.
 
 

BRUXA, BRUXA VENHA A MINHA FESTA

BRUXA, BRUXA VENHA A MINHA FESTA
(Arden Druce)

_ Bruxa, Bruxa, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigada, irei sim, se você convidar o Gato.
_ Gato, Gato, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Espantalho.
_ Espantalho, Espantalho, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar a Coruja.
_ Coruja, Coruja, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigada, irei sim, se você convidar a Árvore.
_ Árvore, Árvore, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigada, irei sim, se você convidar o Duende.
_ Duende, Duende, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Dragão.
_ Dragão, Dragão, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Pirata.
_ Pirata, Pirata, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Tubarão.
_ Tubarão, Tubarão, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar a Cobra.
_ Cobra, Cobra, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigada, irei sim, se você convidar o Unicórnio.
_ Unicórnio, Unicórnio, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Fantasma.
_ Fantasma, Fantasma, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Babuíno.
_ Babuíno, Babuíno, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar o Lobo.
_ Lobo, Lobo, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigado, irei sim, se você convidar a Chapeuzinho Vermelho.
_ Chapeuzinho Vermelho, Chapeuzinho Vermelho, por favor, venha a minha festa.
_ Obrigada, irei sim, se você convidar as Crianças.
_ Crianças, Crianças, por favor, venham a minha festa.
_ Obrigado, iremos sim, se você convidar a Bruxa.
 

"História ACUMULATIVA"

HIST. ACUMULATIVA
Rita Foelker

Pra começar, era
uma pena em minha mão...

Ou, antes:
Pra começar, era
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão...

Quer dizer:
Pra começar, era
um ninho onde morava
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão

Um galho onde ficava
um ninho onde morava
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão...

A árvore onde brotou
um galho onde ficava
um ninho onde morava
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

A semente que virou
a árvore onde brotou
um galho onde ficava
um ninho onde morava
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

O homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
um galho onde ficava
um ninho onde morava
um passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

Bom...
Pra começar, era
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

A água que molhou
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

A nuvem que choveu
a água que molhou
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

O céu onde passava
a nuvem que choveu
a água que molhou
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

O Sol que clareava
o céu onde passava
a nuvem que choveu
a água que molhou
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

O Universo que continha
o Sol que clareava
o céu em que passava
a nuvem que choveu
a água que molhou
a terra onde cresceu
o homem que plantou
a semente que virou
a árvore onde brotou
o galho onde ficava
o ninho onde morava
o passarinho que perdeu
uma pena em minha mão.

Olha:
pra começar,
começar mesmo, era
DEUS! 

TEXTOS E HISTÓRIAS

Texto: "Menina Bonita do Laço de Fita"



MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA

(Ana Maria Machado)


Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.
A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas.
Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.
E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.
E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...
Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela.
Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi.
Mas não ficou nada preto.
- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...
Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até
com os parentes tortos.E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina,
tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda
a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha.
Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.
E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...


Texto: "As MARIAS"


A mala está pronta.
Maria Clara, Maria Morena e Maria Escura estão ansiosas para contar suas histórias que enlaçam e entrelaçam nos caminhos da vida.
Crianças, cada uma com suas peculiaridades, suas características.
Muito diferente uma das outras porém, muito amigas.
Amigas como há muito não se vê... AMIGAS como todas as crianças deveriam ser.


Texto: "Como Nasceu a Alegria"

Aqui estão: O painél já com o sol, o galo incumbido por Deus de todas as manhãs acordar os anjos e os elefantes que são encarregados de regar o grande jardim Terra.As flores "Lindas e Infelizes", a "Florinha da Pétala Partida", a árvore, os passaros...A chuva, o mar, o arco-íris, os peixes grandes e pequenos, os animais de diferentes espécies que bem no comecinho do mundo, viram como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume...

"COMO NASCEU A ALEGRIA"(Rúben Alves)

Você pode não acreditar, mas é verdade: muitos anos atrás a terra era um jardim maravilhoso.
É que os anjos, ajudados pelos elefantes, regavam tudo, com regadores cheios de água que eles tiravam das nuvens. Esta era a sua primeira tarefa, todo dia.
Se esquecessem, todas as plantas morreriam, secas, estorricadas... Para que isso não acontecesse, Deus chamou o galo e lhe disse:
- Galo, logo que o sol aparecer, bem cedinho, trate de cantar bem alto para que os anjos e os elefantes acordem...
E é por isto que, ainda hoje, os galos cantam de manhã...
Flores havia aos milhares. Todas eram lindas. Mas, infelizmente, todas elas eram igualmente vaidosas e cada uma pensava ser a mais bela.E, exibindo as suas pétalas, umas para as outras, elas se perguntavam, sem parar:
- Não sou a mais linda de todas?Até pareciam a madrasta da Branca de Neve.
Por causa da vaidade, nenhuma delas ouvia o que as outras diziam e nem percebiam que todas eram igualmente belas.Por isso, todas ficavam sem resposta.
E eram, assim, belas e infelizes.
No meio de tanta beleza infeliz, entretanto, certo dia uma coisa inesperada aconteceu.
Uma florinha, que estava crescendo dentro de um botão, e que deveria ser igualmente bela e infeliz, cortou uma de suas pétalas num espinho, ao nascer.
A florinha nem ligou e vivia muito feliz com sua pétala partida. Ela não doía. Era uma pétala macia. Era amiga.
Até que ela começou a notar que as outras flores a olhavam com olhos espantados. E percebeu, então, que era diferente.
- Por que é que as outras flores me olham assim, papai, com tanto espanto, olhos tão fixos na minha pétala...?
- Por que será? Que é que você acha?, perguntou o pai.
Na verdade, ele bem sabia de tudo. Mas ele não queria dizer. Queria que a florinha tivesse coragem para olhar para as vaidosas e amar a sua pétala.
- Acho que é porque eu sou meio esquisita..., a florinha respondeu.
E ela foi ficando triste, triste... Não por causa da sua pétala rachada, mas por causa dos olhos das outras flores.
- Já estou cansada de explicar. Eu nasci assim... Mas elas perguntam, perguntam, perguntam...
Até que ela chorou.Coisa que nunca tinha acontecido com as flores belas e infelizes.
A terra levou um susto quando sentiu o pingo de uma lágrima quente, porque as outras flores não choravam. E ela chamou a árvore e lhe contou baixinho:
- A florinha está chorando. E a terra chorou também. A árvore chamou os pássaros e lhes contou o que estava acontecendo. E, enquanto falava, foi murchando, esticando seus galhos num longo lamento, e continua a chorar até hoje, à beira dos rios e dos lagos, aquela árvore triste que tem o nome de chorão. E das pontas dos seus galhos correram as lágrimas que se transformaram num fiozinho de água...Os pássaros voaram até as nuvens.
- Nuvens, a florinha está chorando. E choraram lágrimas que se transformaram em pingos de chuva... As nuvens choraram também, juntando-se aos pássaros numa chuva enorme, choro do céu.As lágrimas das nuvens molharam as camisolas dos anjinhos que brincavam no céu macio.
E quiseram saber o que estava acontecendo. E quando souberam que a florinha estava chorando, choraram também... E Deus, que era uma flor, começou a chorar também.
E a sua dor foi tão grande que, devagarinho, como se fosse espinho, ela foi cortando uma de suas pétalas. E Deus ficou tal e qual a florinha.
E aquele choro todo, da terra, das árvores, dos pássaros, dos anjos, de Deus, virou chuva, como nunca havia caído.
O sol, sempre amigo e brincalhão, não agüentou ver tanta tristeza. Chorou também. E a sua boca triste virou o arco-íris...
E as chuvas viraram rios e os rios viraram mares. Nos rios nasceram peixes pequenos.
Nos mares apareceram os peixes grandes.
A florinha abriu os olhos e se espantou com todo aquele reboliço. Nunca pensou que fosse tão querida. E a sua tristeza foi virando, lá dentro, uma espécie de cócega no coração, e sua boca se entortou para cima, num riso gostoso...
E foi então que aconteceu o milagre.
As flores belas e infelizes não tinham perfume, porque nunca riam.
Quando a florinha sorriu, pela primeira vez, o perfume bom da flor apareceu.
O perfume é o sorriso da flor. E o perfume foi chamando bichos e mais bichos...
Vieram as abelhas... Vieram os beija-flores... Vieram as borboletas... Vieram as crianças.
Um a um, beijaram a única flor perfumada, a flor que sabia sorrir.
E sentiram, pela primeira vez, que a florinha, lá dentro do seu sorriso, era doce, virava mel...
Esta é a estória do nascimento da alegria. De como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume.A florinha não se esqueceu de sua pétala partida.
Só que, deste dia em diante, ela não mais sofria ao olhar para ela, mas a agradava, como boa amiga. Quanto aos regadores dos anjos, nunca mais foram usados.
De vez em quando, olhando para as nuvens, a gente vê um deles, guardado lá dentro, já velho e coberto de teias de aranha...
Enquanto a florinha de pétala partida estiver neste mundo, a chuva continuará a cair e o brinquedo de roda em volta do seu sorriso e do seu perfume não terá fim..



Texto: "A Borboleta Dourada"

A BORBOLETA DOURADA
(Bellah Leite Cordeiro)

De tempos em tempos as borboletas se reuniam no bosque para conversarem, trocarem idéias
e se conhecerem melhor.As borboletas novas se apresentavam à comunidade e as mais velhas
as admiravam por sua beleza e as animavam para o trabalho junto às flores.
Todas tinham a missão de espalhar o pólen e assim levar a beleza a toda parte: às matas,
às florestas, aos bosques e aos jardins.Sentado à porta de sua casa, um velho gafanhoto observava a passagem das borboletas.Todas o cumprimentavam respeitosamente,
pois o velho gafanhoto era tido e realmente era um grande sábio.
Até que, se aproximou dele uma borboletinha bem jovem, inexperiente, e, diga-se de passagem, bastante sem graça...
- Bom dia, senhor Gafanhoto! – disse ela timidamente.
- Bom dia! – respondeu o gafanhoto – Vai à reunião das borboletas pela primeira vez?
- É isso aí! – falou a borboleta insegura – E estou um pouco preocupada... Será que vão gostar de mim? Diga com franqueza: você não me acha meio feiosa, minha cor não ajuda e as minhas asas são grandes demais?
- Não! – respondeu o velho gafanhoto - Cada um é como é! E a aparência das coisas não é muito importante. Cada um se faz bonito ou feio. – acrescentou o gafanhoto com bondade.
Na reunião todas conversavam entre si alegremente. Riam e brincavam, mas nem olhavam para a borboleta dourada. Era como se ela não existisse. Foi a última a deixar a reunião, na esperança de que alguém ainda a visse e falasse com ela. Mas nada!
Ninguém a enxergou ninguém reparou nela.
Quando na volta para casa, passou novamente pela casa do velho e sábio gafanhoto ele perguntou:
- Olá borboletinha, não vem da reunião das borboletas? Então... Que tristeza é essa? Não te trataram bem?
- Pra ser sincera, nem me viram... Ninguém me notou na reunião.
- Ora borboleta, espera aí! Você não é feia como pensa! Falta-lhe um pouquinho de charme... Talvez... Mais isso não é difícil conseguir. Se quiser ouvir os meus conselhos...
-Ah, senhor gafanhoto! Seria um favor! Eu sei, os seus conselhos são maravilhosos!
O senhor já ajudou muita gente a ser feliz!
- Em primeiro lugar, quero saber por que você não usa uma das armas mais poderosas que todos nós possuímos para ser felizes: O SORRISO!
- O sorriso? – perguntou a borboleta espantada.
- Sim, o sorriso ilumina o nosso rosto! Faz a alegria sair de dentro do coração da gente e se espalhar, deixando todos em volta de nós, muito alegres!
- Mas como vou sorrir se eu não estou alegre?
- Ora Borboletinha! Neste mundo não existe ninguém que não tenha um motivo para ficar alegre! É só procurar! Você não acha maravilhoso o fato de poder voar?
- Ah! Isso eu acho mesmo! É legal demais voar por cima de tudo! Fazer piruetas, pousar em qualquer lugar, ir para qualquer parte... É claro! Voar é muito bom mesmo.
- O seu trabalho não é espalhar o pólen das flores para multiplicá-las por toda parte?
- É exatamente esse o meu trabalho!
- Espalhar a beleza por onde passa será esse um trabalho qualquer? Não é maravilhoso fazer isso?
- Pra falar com franqueza, não reparo. Faço o meu trabalho por obrigação!
- Repare então criatura! – tornou a insistir o gafanhoto – Verá que beleza existe em volta de você! Experimente sorrir, seu sorriso será um grande aliado. Pois todo mundo gosta de um belo sorriso! Procure também, fazer as coisas por amor, e não por obrigação!
A borboleta animada agradeceu os conselhos e voou confiante e esperançosa.
Feliz, ela vinha observando a beleza do pôr-do-sol e o vento a brincar com a folhagem das árvores.
- Coisa linda! – pensou – Esse lugar onde moro é realmente uma beleza!
De repente notou que estava sorrindo e sentiu esse sorriso vir do fundo do seu coração.
Estava assim, distraída quando ouviu uma vozinha muito fraca a chamá-la:
- Olá... Borboletinha! Você parece ser tão boa. Poderia ajudar-me? Estou coberta de areia e não consigo livrar-me dela. Você não dará um jeitinho?
Era uma formiguinha já quase sem fôlego a se debater na areia.
- Pois não! – Falou a borboletinha aflita descendo imediatamente para bem perto dela
– Estou aqui para ajudá-la!
- Vi o seu sorriso tão bonito por isso me animei a pedir ajuda. Quem sorri como você, só pode ter um coração cheinho de coisas boas!
Essas palavras da formiga foram as mais lindas ouvidas pela borboleta até aquele dia, e jamais se sentira tão feliz!
Em sua grande alegria a borboleta teve um desejo enorme de cantar e dançar numa revoada de felicidade.
Um besourinho ao passar ao seu lado voando também, falou:
- Como você dança bem! E é linda sabia?
- Obrigada! – respondeu a borboleta meio sem jeito, pois nunca havia sido elogiada antes – Suas asas também são muito bonitas sabe? Cada um é bonito ao seu jeito!
E lá se foi o besourinho alegremente a dançar também, feliz com as palavras da borboleta.
Daí por diante, começou a observar tudo: a relva, as árvores, o céu, as nuvens, a brisa, a chuva, as montanhas ao longe...
Nada mais escapava de sua vista e tudo era importante pra ela.
Encantada, olhava as flores, reparava na beleza de cada uma, conversava com elas e, sem querer, passou a fazer o seu trabalho de todos os dias com um amor enorme brotando em seu coração.
- É incrível mesmo, a diferença de quando se faz tudo com amor!
O tempo foi passando e a borboleta era cada vez mais feliz, pois por onde passava sentia como era querida. Todos a festejavam e a olhavam com grande simpatia.Todo mundo queria conversar, dançar e brincar com essa borboletinha tão gentil, sempre a sorrir para todos.
A sua tarefa diária a borboleta passou a fazê-la muito melhor! É claro! Agora fazia com amor!Afinal, chegou o dia da nova reunião das borboletas.
Muito alegre ela recebeu a notícia.Na data marcada, saiu de casa mais cedo. Queria passar pela casa do gafanhoto antes da reunião, pois desejava agradecer-lhe pessoalmente os conselhos preciosos e quase mágicos. Como algumas poucas palavras boas podem ajudar tanto!
A chegada da borboleta à reunião foi sensacional! Todas pararam para admirá-la.
-Mas que borboleta linda!- diziam.- É dourada! Venham ver!- Parece luminosa! Você é superlegal!Todas a rodearam alegremente, e perguntaram:- Você é uma das novas, não é? É a primeira vez que vem aqui?
- Não! –respondeu ela - Já estive aqui na reunião passada, mas ninguém me notou!
- Não é possível! Você é linda demais! É uma borboleta dourada! Sabe lá o que é ser uma borboleta dourada? Ninguém deixaria de vê-la!
–Essa é uma história muito comprida... Qualquer dia eu conto a vocês. Agora quero me apresentar a todas as borboletas, quero conhecer todas as minhas irmãs, conversar com elas
e se muito amiga da comunidade das borboletas.À tardinha, depois de sair da reunião,
passou novamente pela casa do velho gafanhoto.Desta vez queria fazer-lhe uma pergunta:
- Senhor gafanhoto, diga-me uma coisa: eu mudei de cor?
- Não borboletinha, a sua cor é a mesma...
– Por que então me chamam de borboleta dourada?
- Mas você é uma borboleta dourada! Sempre foi... Apenas a sua beleza estava escondida.
Agora você reflete o seu interior! E é dele que vem a verdadeira beleza: A que sai do coração e se reflete em todo o ser! Por isso você está luminosa e linda! Você agora, é a borboleta dourada mais linda que eu já vi em toda a minha vida!


Texto: "A Zeropéia"

A ZEROPÉIA
(Herbert de Souza – BETINHO)

Ia uma centopéia com suas cem patinhas pelo caminho quando topou com uma barata.
Vendo tantas patinhas num bicho só, a barata ficou boquiaberta:
-Mas Dona Centopéia pra que tantas patinhas? A senhora precisa mesmo delas? Olha, eu tenho só seis e são mais do que suficientes! Posso fazer tudo, correr, trepar nas paredes, me esconder nos buracos. Ninguém consegue me acertar na primeira, nem na segunda chinelada!
- É – respondeu a centopéia -, eu não havia pensado nisso! E olha que tenho essas cem patinhas desde que nasci cinqüenta de um lado e cinqüenta do outro...
- Como à senhora faz quando tem uma coceira? – perguntou a barata - Já imaginou o trabalhão, coçando daqui e dali sem parar? Deve ser um inferno ter tantas patinhas! Por que a senhora não amarra noventa e quatro e fica com seis como eu? Vai ficar muito mais fácil e a senhora vai poder inclusive correr muito mais, como eu.
A centopéia nem pensou e amarrou as noventa e quatro patinhas. Doeu um pouco com todos aqueles nós, mas era necessário, e continuou a andar.
Lá na frente se encontrou com um boi.
Quando o boi viu a centopéia andando com seis patas ficou intrigado:
- Dona centopéia por que seis patas? Para que tantas? Olhe, eu só tenho quatro e faço o que quero! Corro, participo de touradas, pulo cerca quando quero, sou forte e todo mundo me admira! Por que a senhora não amarra mais duas patinhas e fica com quatro? Vai ficar mais ágil e vai correr tanto quanto eu...
A centopéia amarrou mais duas patinhas. Doeu um pouco, já estava quase dando cãibra,
mas era necessário, e continuou a andar.
Lá mais na frente, já andando com certa dificuldade, a centopéia se encontrou com
o macaco.
Quando o macaco viu a centopéia andando com quatro patas, ficou curioso.
Olhou bem, contou e recontou, e não se conteve:
- Mas... Dona centopéia, por que tanta pata se a senhora pode andar com apenas duas, como eu?Veja como eu faço: pulo de galho em galho, corro, ninguém me pega nesta floresta. Por que a senhora não amarra mais duas patinhas e fica assim, como eu?
A centopéia nem pensou e amarrou mais duas patinhas. Agora só tinha duas patinhas livres, poderia viver em paz, como a maioria dos bichos da floresta, e se parecia até com as pessoas, podia até pensar em ter nome de gente, como Maria ou Florinda.
E continuou a andar, com muita dificuldade, mas tranqüila. Havia seguido todos os conselhos que recebera pelo caminho.Velhos tempos aqueles em que tinha cem patinhas livres!Quanto trabalho à toa! E continuou a andar.
Mas lá na volta do caminho, de repente, viu a dona cobra!
A centopéia sentiu um friozinho na barriga.
- I! – pensou ela – a dona cobra nem patas têm!
Não deu outra. Quando a cobra viu a centopéia com suas duas patinhas, foi logo parando
e dizendo:
- Por que andar com essas duas patas num corpo tão comprido e desajeitado? Será que você não sente que está sendo ridícula andando só com duas patas? E, afinal de contas, pra que patas pra andar? Não vê como eu corro, escapo, ataco, meto medo, serpenteio, subo em árvores e até nado sem patas? Por que não completa a obra e amarra tudo de uma vez?
A centopéia então, amarrou as suas últimas patinhas, pensando que podia ser que nem a cobra. E não podia. Ali mesmo ficou pedindo socorro e gritando por todos os bichos da floresta:- Ei, dona barata, seu boi, seu macaco, dona cobra! Venham me ajudar! Não consigo mais andar! Eu, que tinha cem patinhas, deixei de ser uma centopéia e acabei virando uma zeropéia!A turma da floresta, pra concertar a situação, teve então uma idéia, a de fazer um carrinho bem comprido para a centopéia poder se locomover. A centopéia ia virar a primeira zeropéia motorizada da floresta!
- Mas como é que eu vou dirigir esse carro se não tenho mais patinhas?
Foi um drama! Os bichos foram logo discutindo:
- A barata dirige, pois foi ela quem mandou amarrar noventa e quatro patinhas de uma só vez!
- Não, não, não! Dirige o boi, que mandou amarrar mais duas patas!
- Melhor o macaco, que mandou amarrar mais duas.
- Negativo! Dirige a cobra, que mandou amarrar tudo. Até que a centopéia se deu conta, pensou bem pensado e disse para todo mundo:
- É, gente, a culpa é minha! Eu não devia ter escutado essa conversa fiada de amarrar patinhas! Eu não sou barata, não sou boi, não sou macaco e nem cobra; eu sou é eu mesma, uma centopéia que quase virou uma zeropéia.
A centopéia agradeceu o carrinho, mas, mandou a bicharada desamarrar todas as suas patinhas. E decidiu que o mais importante era ser ela mesma e ter as suas próprias idéias na cabeça...

A Centopéia de sucata.

FONTE:
 http://contandoradehistorias.blogspot.com.br/2008/01/contando-zeropia.html